Candidatura assertiva: o que realmente funciona pra você ser chamado mais rápido

Candidatura assertiva: o que realmente funciona pra você ser chamado mais rápido

Gean Carlos
Gean Carlos Growth Marketing Analyst | First Step Lab 10 minutos de leitura

Cansado de se candidatar e não ser chamado? Veja o que de fato aumenta suas chances de entrevista, sem fórmula mágica e sem promessa que ninguém consegue garantir.

Por que não existe fórmula mágica pra conseguir emprego rápido

A maioria das pessoas pensa que se candidatar para vagas de emprego é um caminho linear, que existe uma fórmula pronta e é só seguir os passos. Ou pior: acha que existe algum segredo mirabolante que faz os profissionais que sabem disso se destacarem no processo seletivo.

Sabe o que é engraçado? Isso, e muitas outras coisas que o povo por aí pensa, está completamente errado. Não existe fórmula pronta pra passar numa vaga, muito menos segredo escondido que te faz ser chamado pra 8 entrevistas numa semana.

E olha, não estou dizendo que não existe candidatura assertiva capaz de aumentar suas chances de chegar numa entrevista. Muito pelo contrário, existem várias coisas que funcionam de verdade, e é sobre isso que vamos falar aqui. Só que antes de te contar o que funciona, preciso te contar a verdade sobre o que acreditar e o que não acreditar.

Deu vontade de começar o texto assim porque nos últimos dias tem chovido anúncio de “especialista” dizendo coisa do tipo:

“Você está usando o LinkedIn errado e é por isso que não consegue vaga.”

“Meu mentorado conseguiu 8 entrevistas num dia só com essas estratégias que vou te ensinar.”

“Existe uma forma de conseguir sua vaga muito mais rápido do que você imagina, e não é pela aba de vagas do LinkedIn.”

Sabe o que esses anúncios querem dizer no final das contas? “Compre meu curso caro.”

Não tenho nada contra vender curso, eu trabalho com Growth Marketing, sei como isso funciona. O que não me parece certo é o tipo de promessa que fazem, e o pior é que está em todo lugar: Instagram, LinkedIn, YouTube. Quem está desempregado não deveria gastar dinheiro com coisa que talvez nem ajude a chegar onde quer chegar, que é o emprego.

Essas promessas podem até ser verdadeiras. Mas em hipótese alguma alguém deveria prometer algo que não tem o mínimo controle pra garantir. Pensa comigo: como é que alguém garante que você vai conseguir vaga em X dias, com X passos simples e X candidaturas? Não dá. Conseguir vaga, promoção ou qualquer coisa relacionada a carreira depende de variáveis demais. Um candidato qualquer pode conseguir a vaga porque:

  • era amigo do recrutador
  • era amigo do dono da empresa ou do CEO
  • conheceu alguém num café e essa pessoa gostou dele e abriu uma porta
  • recebeu a proposta porque o candidato escolhido em primeiro lugar desistiu
  • tinha um amigo dentro da empresa que indicou
  • teve uma boa relação com o recrutador desde o início do processo
  • já era conexão do recrutador no LinkedIn e tinha proximidade com ele
  • conseguiu estágio por um programa da faculdade

E essas são só algumas de muitas variáveis que ajudam, ou atrapalham, alguém a conseguir vaga. Nenhuma fórmula de curso dá conta de todas elas ao mesmo tempo, e é por isso que desconfio de quem promete resultado igual pra todo mundo.

Dito isso, vamos ao que interessa: como ter uma candidatura assertiva de verdade pra aumentar suas chances no processo seletivo. E aqui vão dicas minhas, não fórmula de internet nem coisa que ouvi falarem por aí. São coisas que validei na minha própria carreira até aqui. Vou começar pelas mais gerais e ir aprofundando ao longo do texto.

Tenha um perfil ativo no LinkedIn

Aqui é mais ou menos o que já pregam por aí, mas vale reforçar porque é a base de tudo o resto. Crie o perfil, coloque uma foto profissional, comente em postagem que achar interessante, envie convite pra gente da sua área e pra profissional de RH e gestão. O simples que funciona. Depois disso, comece a postar coisa da sua área, meio que documentando o que está aprendendo.

Não tente parecer perfeito. Profissional de RH percebe na hora quando você tenta parecer alguém que não é. Eles estudam pessoa pra valer, é o trabalho deles. Não vai colar, pode confiar.

Trate a vaga como consequência, não como meta

Sei que parece estranho falar assim, ainda mais porque quem está sem emprego geralmente não tem a opção de pensar dessa forma, precisa do emprego pra botar comida na mesa. E entendo bem isso, deve ser assim mesmo. Mas a ideia aqui é forçar o cérebro a não ser imediatista.

Pensar “preciso de um emprego” é uma coisa. Isso deixa ansioso, estressado, e não move você de forma estratégica pro que precisa ser feito. Agora pensar “ser contratado vai ser consequência do que eu fizer” leva a outro lugar: “beleza, mas o que eu faço? O que eu preciso fazer pra ser contratado?” Isso já é ação, e ação te aproxima da vaga com bem menos ansiedade no caminho.

Trate a busca de emprego como um trabalho

Buscar recolocação não é pra ser tratado de qualquer jeito. Tem muito conteúdo, curso, material espalhado por aí sobre carreira, e o motivo é simples: buscar emprego também é trabalho, exige foco, determinação, estratégia, o mesmo tanto de disciplina que qualquer cargo exigiria de você. Tratar como trabalho significa, na prática, três coisas:

Primeiro, anotar as vagas nas quais você se candidatou: empresa, cargo, canal onde encontrou, site onde a candidatura aconteceu, data, próximo passo combinado. Existem várias ferramentas gratuitas que ajudam com isso. Na First Step Lab, por exemplo, temos uma planilha completa de controle de candidaturas com painel de indicadores automáticos, pra você enxergar em que etapa do funil está travando.

Segundo, melhorar a capacidade de fazer networking de verdade, não de forma genérica. Se aprofundar mesmo pra entender qual a melhor forma de abordar um recrutador, alguém sênior da sua área, um amigo pra pedir indicação. Networking não é sair adicionando gente aleatória, mas sim, construir relação com intenção.

Terceiro, praticar entrevista simulada pra melhorar a forma como você se vende na frente do recrutador. Vai por mim, tudo isso junto te deixa muito mais perto da vaga do que qualquer “fórmula mágica” que tentam vender por aí.

Os detalhes que o recrutador nota (e você acha que não importam)

Detalhe simples: responder rápido e de forma otimista as mensagens do recrutador ou do RH. Ninguém quer negociar com quem demora dias pra responder um “podemos remarcar pra quinta?”.

Se vestir de forma adequada pra entrevista também conta, e aqui não to falando de formal. Isso depende da ocasião, então pesquise a empresa e a cultura dela antes pra ter uma base de como se vestir. De forma simples, camisa de cor neutra, calça de tamanho adequado e um tênis comum já resolve. Não precisa de muito, só o básico bem feito.

Se quiser um algo a mais: camisa na cor da empresa, ou decorar o fundo da câmera com algum detalhe que remeta à empresa antes da reunião online. Detalhe pequeno, mas soma com os outros, e recrutador nota esse tipo de coisa, mesmo sem comentar, de forma inconsciente.

Vale reparar também no óbvio antes de se candidatar: seu número de WhatsApp tem foto e nome certos? Seu LinkedIn tem headline atualizada com o cargo que você busca agora, e não o cargo de três anos atrás? Detalhe de dois minutos que muita gente esquece de revisar.

Nunca priorize um processo seletivo mais do que os outros

Isso aqui quase ninguém fala, mas faz muita diferença. Trate os processos seletivos igualmente. Nunca deposite todas as fichas num cargo só, quanto mais você faz isso, mais se frustra se não conseguir, e mais ansioso fica a cada etapa que avança.

Ao mesmo tempo, mesmo já avançado num processo específico, não pare de buscar emprego. Nunca se sabe o que acontece lá na frente. Conseguiu a vaga, ótimo. Não conseguiu, não parou de se candidatar, e talvez já tenha outra oportunidade andando em paralelo. Só não deixe de se dedicar a cada candidatura por conta disso, o ponto não é se dispersar, é não travar tudo numa aposta só.

Candidate-se cedo: o princípio da familiaridade a seu favor

Essa aqui talvez já tenham falado em algum lugar, mas vou aprofundar o motivo por trás, porque o motivo importa mais que a dica em si. Não é só sobre evitar vaga fantasma, aquela que o pessoal posta só pra engajamento, golpe ou qualquer coisa que não seja processo seletivo real. É sobre ser um dos primeiros a aparecer na tela do recrutador.

Empresa pequena ou média não tem estrutura pra deixar vaga aberta um mês, dois, três. Costuma ficar pouco tempo no ar. Quem se candidata primeiro tem muito mais chance de ter o currículo visto, o perfil do LinkedIn visto. E só o fato de você não ser mais um estranho quando manda o convite de conexão já é um detalhe que pesa. Isso não é achismo, é psicologia, é como a mente funciona. Chama-se princípio da familiaridade, e ele trabalha a seu favor quando você se candidata rápido, não semanas depois que a vaga foi postada.

Personalize a candidatura, currículo genérico não passa

Isso aqui não é só conselho bonito, tem número por trás. Já vi levantamento apontando diferença de até 40 pontos percentuais na compatibilidade entre um currículo genérico e um currículo adaptado pra vaga, quando passa pelos filtros automáticos (ATS) que boa parte das empresas usa antes de qualquer humano ler seu material. E não para no ATS: quando o recrutador bate o olho e já vê nas primeiras linhas a habilidade e o termo exato que ele buscava pra posição, a chance de você seguir no processo aumenta.

Leva uns 10, 15 minutos adaptar um currículo bem feito quando você tem método. Não é sobre reescrever do zero pra cada vaga, é sobre ajustar palavra-chave, reordenar o que é mais relevante pra aquela posição específica, cortar o que não serve. Pouco tempo investido, resultado bem maior do lado de cá.

O mesmo vale pra mensagem que acompanha a candidatura, quando o processo permite uma. Mensagem genérica de “gostaria de me candidatar a essa vaga” não soma nada. Uma linha dizendo por que você, especificamente, faz sentido pra aquela posição, já muda a percepção de quem está lendo.

Depois de se candidatar, não desapareça

Se candidatou e o processo permite contato direto com quem publicou a vaga? Manda um convite de conexão no LinkedIn com uma mensagem curta, contextualizada, dizendo que se candidatou e que ficou interessado na posição. Não é implorar por resposta, é reforçar o mesmo princípio da familiaridade que já falei aqui em cima, só que de outro ângulo.

Depois disso, tenha paciência. Uma semana sem retorno não significa reprovação, processo seletivo tem prazo próprio, geralmente maior do que a gente gostaria. Mas se passou tempo razoável e você tem uma atualização real pra compartilhar, tipo terminou um curso relevante pra vaga, não custa mandar uma mensagem breve. O que não pode é cobrar resposta todo dia, isso sim afasta.

Escreva de forma decente, seja pontual e responsável

Isso nem deveria ser dica, deveria ser requisito mínimo. Ninguém gosta de quem não sabe escrever. Recrutador prefere o candidato que responde rápido e certo no WhatsApp, ou o que fala tudo errado e não cumpre prazo? Óbvio.

Tem habilidade que é requisito mínimo pra passar numa vaga e é fácil de aprender: responder rápido e de forma decente, ser pontual e avisar com antecedência sobre imprevistos, ser respeitoso com o tempo do outro. Tudo isso é habilidade que se aprende em casa. Se um candidato não cumpre isso, imagina como deve ser o trabalho dele depois de contratado.

Candidatura assertiva não depende de sorte, depende de método

Não existe fórmula mágica nem segredo escondido pra conseguir emprego rápido. Existe candidatura assertiva: perfil ativo no LinkedIn, tratar a busca como trabalho, cuidar dos detalhes que parecem pequenos, não apostar tudo num processo só, se candidatar cedo, personalizar currículo e mensagem, manter contato depois de se candidatar sem virar chato, e ter o básico de comunicação e postura resolvido. Resumidamente: nenhuma dessas coisas garante vaga sozinha, mas juntas colocam você muito mais perto dela do que qualquer anúncio de curso milagroso.

Se quiser organizar tudo isso na prática, vagas, canais, status de cada candidatura, a First Step Lab tem uma planilha gratuita de controle de candidaturas e o restante do material de graça pra quem está nessa fase.

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Gean Carlos

Gean Carlos

Growth Marketing Analyst • First Step Lab

Quem escreveu este artigo

Gean Carlos é Analista de Growth e fundador da First Step Lab. Compartilha conteúdos sobre LinkedIn, currículo, entrevistas e estratégias de carreira para ajudar profissionais a conquistarem vagas.